As importantes mudanças para os profissionais de Comex em 2021

Giovanna Giuga

Giovanna Giuga

Graduanda em jornalismo pela PUC-Campinas, atualmente no último ano. A poucos passos para o fim da faculdade, segue comunicativa e em busca de boas e novas pautas.

A pandemia causada pelo Covid 19 atingiu o mundo todo e teve o primeiro caso registrado no Brasil em 26 de fevereiro de 2020. Desde então, em 24 de março de 2021, confirmaram-se 12.130.019 casos, a maior parte deles no estado de São Paulo, (segundo o Ministério da Saúde) causando 298.676 mortes. Se a tecnologia já era uma realidade para todos os mercados, especialmente para o mercado de Comércio Exterior, de uma ano pra cá, ela passou a ser obrigação em todo e qualquer processo.

Até porque as atividades que eram realizadas presencialmente tiveram que passar por um processo rápido de digitalização. E, até que a situação se acalme e a maioria da população seja vacinada, muitas mudanças já terão acontecido e nunca mais voltarão a ser como eram. Sendo assim, empresas e profissionais usarão ferramentas que os auxiliem cada vez mais nos processos, na etapa de registro dos processos e acompanhamentos, mas, especialmente, no uso de ferramentas de análise do mercado.

O profissional de Comex, especialmente os despachantes aduaneiros, precisam entender que suas funções deixaram de ser apenas operacionais, para serem estratégicas, colocando-os como parceiros de negócios dos seus clientes. É o que afirma a Monica Gabriella – Product Manager da LogComex – em entrevista para este blog. “O profissional de Comércio Exterior precisa estar atualizado com as notícias através de veículos de comunicação confiáveis e de portais oficiais de órgãos do próprio governo, mas, mais do que isso, precisa ter dados sobre seu mercado globalmente para, assim, tomar decisões junto ao seu cliente com clareza”, explica Monica.

“Se eu sou uma importadora, preciso analisar melhor como está a importação do meu produto no mundo todo, estudar e pesquisar o valor de frete e da mercadoria. Mas, o grande “x” da questão é que as empresas precisam investir também em ferramentas que as auxiliem na análise de mercado de uma maneira muito mais forte e constante. Por outro lado, o mercado tecnológico tem se preparado para oferecer o máximo de ferramentas que façam integrações, que ajudem no processo e nas etapas de liberação de processos aduaneiros”, exemplifica a gerente.

Monica aconselha que o profissional se programe para estas mudanças. Mas como? “É preciso estar atento às notícias oficiais, entender o que está acontecendo no mercado, pesquisar e estudar as ferramentas de análise de mercado, e, então, planejar-se. Claro que o mercado de Comércio Exterior é dinâmico, com a mudança de processos, variação de câmbio, entre outros fatores que, muitas vezes, fazem que o despachante aja com rapidez. Mas, estar de olho no mercado, atualizado, fará com que as ações sejam mais assertivas. Quando você tem informações em mãos de quanto uma ação vai te custar e de como repassar isso da melhor maneira possível, melhor será sua decisão”, afirma Monica.

A especialista ainda recomenda cursos rápidos e online no lugar de especializações que duram anos. “É preciso adquirir conhecimento para aplicar imediatamente, não dá tempo para cursos de especializações. Procurem materiais na internet, em sites de empresas confiáveis com informações relevantes para o mercado. Procurem seguir páginas e perfis com dicas no Instagram, no LinkedIn, Spotfy ou Youtube. Eu ouço podcasts gravados semanalmente, que discutem a situação atual, com muito conteúdo bacana e muito atualizado, feitos por profissionais”, adverte a gerente

O cenário mudou e grande parte da população está trabalhando em homeoffice. Com isso, uma grande quantidade de materiais em rede digital está sendo publicada. Muitas pessoas não têm tempo para parar e ler, mas enquanto exercem outras atividades, podem ouvir um podcasts no Spotfy ou assistir um vídeo no Youtube. Já no LinkedIn é possível acompanhar diferentes pontos de vista com as diferentes postagens de artigos de profissionais renomados dentro desta área. Mas se a pessoa prefere consumir conteúdos mais curtos, mas com dicas valiosas, há vários perfis no Instagram e no Facebook, que são curtos, mas trazem as informações necessárias do momento de maneira mais rápida e prática.

Com essa mudança, o despachante aduaneiro se viu em uma situação difícil, pois tinha muito trabalho que antes era feito presencialmente e agora tem que ser feito de maneira automatizada. Para isso, há no mercado hoje ferramentas que o ajudam não só a fazer o trabalho que faziam, mas, principalmente analisar o mercado: olhar para os dados com um olhar diferente do que ele tinha. “Antes, o despachante aduaneiro era operacional, fazia registro de processos e todas as burocracias. Hoje, ele tem um papel mais importante, o de discutir as melhores soluções, fazendo uma análise dos últimos 12 meses, olhando para trás, e analisando os altos e baixos em seus gráficos. Junto ao cliente, ele vai ver o que deu certo, o que funcionou, o que o fez cair e o que a fez dar uma guinada”, explica Monica.

Para o agente de carga, a mudança mais importante deste ano está no processo de importação, que será migrado para o Portal Único, lançado pelo governo federal em 2017. O cronograma para total migração de todos os setores atrasou devido ao início da pandemia do Covid 19 em março de 2020. Mas, em 2021 será necessário ficar atento às mudanças para o funcionamento do módulo de Controle de Carga e Trânsito (CCT) no modal aéreo, que acontecerá por completo até o final do ano, e no modal marítimo no início de 2022.

E o que muda na vida do agente de carga? Hoje, no modelo atual, os processos de desconsolidação de carga são realizados pelo sistema da própria Receita Federal. Com a mudança no CCT – Controle de Carga e Trânsito da Receita, o agente não vai mais ter essa interface, não vai mais conseguir acessar o sistema para realizar o processo e terá que obrigatoriamente ter um sistema próprio para que faça a integração via API com o sistema da Receita. O mercado já oferece estas ferramentas. Lembrando que é obrigatório, o agente de carga precisa estar atento ao cronograma da Receita com relação à alteração do processo de importação pra CCT do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) e encontrar o melhor meio para fazê-lo.

“As mudanças também impactarão o despachante aduaneiro, que precisa estar atento ao cronograma da Receita. Mas as mudanças estão começando pelo Controle de Carga e Trânsito, o que antecede o registro da importação”, informa a gerente.

Dicas valiosas

Toda vez que falamos de mudanças, bate aquele desespero. Não tenha medo, a especialista deixa aqui resumidamente algumas dicas que vão contribuir para o desenvolvimento de sua carreira na área de Comex, para quem está em casa ou no escritório:

Fique por dentro do que está acontecendo na área de Comércio Exterior através de sites de veículos de comunicação confiáveis e portais do governo;

Pesquise ferramentas de análise de dados do mercado e as utilize em seu trabalho como despachante aduaneiro;

Seja mais que um profissional burocrático, seja um parceiro de negócios do seu cliente, analisando os dados da empresa e do mercado e participando ativamente das soluções da empresa;

Procure por cursos rápidos na área, online e de duração rápida, mas com atualização constante;

O agente de carga precisa seguir o cronograma de importação do Portal Único e adquirir uma ferramenta que faça a interface com o portal;

Aproveite que está quase que 24 horas por dia online e acesse conteúdos que tenham relevância para uma carreira profissional;

Priorize seguir pessoas e páginas que não sejam apenas de entretenimento, mas que tragam atualizações para a área que atua;

Estude inglês. Use ferramentas próprias para aulas de inglês ou se comunique com redes sociais em inglês;

Mude a linguagem do celular para inglês;

Assista vídeos, filmes e séries em inglês;

Dicas de perfis no Instagram para seguir:

@descomplicacomex

@comexland

@comexnapratica

@invoicecontent_

Portais para mais informações:

https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-gecex-n-133-de-24-de-dezembro-de-2020-296814032

https://www.gov.br/pt-br/noticias/financas-impostos-e-gestao-publica/2021/03/governo-reduz-em-10-imposto-de-importacao-para-eletroeletronicos-e-bens-de-capital

Outra mudança importante: a redução de impostos

Nem só de notícias ruins foi 2020 e 2021 para o mercado de Comex. Para aplacar a alta do dólar e beneficiar produtos que estavam em falta no mercado nacional, o Ministério da Economia anunciou uma redução de 10% nas tarifas de importação de bens de capital, de informática e de telecomunicações e previu um impacto de 2% a 5% para os preços dos bens finais no “longo prazo”.

A decisão abrange 1.495 produtos, com tarifas que variam atualmente entre zero e 16%. Todas as alíquotas de 2% serão reduzidas a zero e as demais cairão em 10%. A tarifa máxima do grupo contemplado ficará em 14,4%.

Segundo o portal do governo (www.gov.br) “A medida beneficia o consumidor brasileiro e os pequenos e médios empresários, com a redução de tarifas de importação de produtos como aparelhos celulares e notebooks, de 16% para 14,4%, e de equipamentos médicos de raio-X e microscópios óticos, de 14% para 12,6%. Terão as alíquotas reduzidas, também, máquinas para panificação e fabricação de cerveja. Outro benefício será a redução do custo logístico e da construção civil, por meio da redução das alíquotas de guindastes, escavadeiras, empilhadeiras, locomotivas e contêineres, entre outros itens”.

O Governo também anunciou a prorrogação da redução temporária para zero das alíquotas do Imposto de Importação de produtos utilizados na prevenção e no combate da Covid-19. A princípio, a vigência da medida iria até 30 de setembro, agora se estende até o próximo dia 30 de outubro, conforme decisão do Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Ministério da Economia.

O objetivo da medida é aumentar a oferta de bens destinados a combater a pandemia, além de máquinas e insumos usados na fabricação nacional desses produtos. Dessa forma, o governo está aumentando a disponibilidade e diminuindo os custos para o sistema de saúde brasileiro.

Ao todo, 562 produtos já tiveram a tarifa de importação zerada para o combate à pandemia, em um total de 11 resoluções do Gecex. A lista inclui tanto medicamentos e produtos médico-hospitalares quanto insumos, componentes e acessórios utilizados na fabricação e operação de itens utilizados durante a pandemia de coronavírus.

Resolução nª 90/2020

Foram incluídos mais 12 produtos na lista de itens com tarifa de importação zerada, a pedido do Ministério da Saúde. A relação contém vacinas contra Covid-19, insumos para a fabricação nacional de itens usados no suplemento nutricional e no tratamento a pacientes acometidos pelo vírus.

A inclusão de vacinas anti-Covid-19 será feita com o uso de descritivo da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) abrangente para o tipo e a apresentação, já que ainda não estão definidos os tipos de vacinas que chegarão ao mercado brasileiro.

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